Editorial: Resistir é a única opção que restou aos LGBTI

57
views
Resistir é a única opção para LGBTI
Getty Images

Jair Bolsonaro se tornou presidente desta nação neste domingo (28). Mais de 55 milhões de brasileiros optaram por escolher o candidato que não só é o menos preparado para gerir o país como também é uma clara ameaça as minorias que vivem por aqui.

Medo, repulsa e raiva estão entre os sentimentos que tomam conta da grande maioria da população LGBTI. Mesmo antes de Bolsonaro ser eleito já nos sentíamos assim. O Brasil sempre foi o país que mais mata nossa gente no mundo inteiro. O que esperar agora?

Se antes tínhamos o vislumbre de melhoras para a nossa gente, agora são trevas que enxergamos ao fitar o horizonte. O medo de morrer, que já nos esperava a cada esquina, agora ganha ainda mais força no discurso do chefe de estado.

Conseguimos a duras penas conquistar o direito de casar com quem amamos. Conquistamos direito ao nome social. Tudo isso numa luta incansável e incessante que encontrava ainda mais força em bancadas conservadoras no congresso e agora está sob severa ameaça. 

Bolsonaro disse e desdisse várias coisas durante a campanha, mas entre as propostas está o resgate da família tradicional na qual somente homens e mulheres heterossexuais terão espaço. “A minoria tem que se curvar a maioria”, certo? ERRADO!

Um breve resumo da história LGBTI mostra que nós somos especialistas em não baixar a cabeça. Foi assim em Stonewall e tem sido assim em cada dia do orgulho que chega desde então. Nós sobrevivemos e vamos continuar sobreviver.

Saímos derrotados, mas fortalecidos dessas eleições. Porque resistir é a única opção que temos a partir de agora. Talvez tenhamos que redobrar nosso cuidado, mas voltar para o armário não é uma opção. Formaremos a oposição mais afrontosa de que se tem notícias nesse país.

Hoje temos ainda mais voz na arte e estamos em mais lugares do que já estivemos antes. Temos uma tímida bancada LGBTI se formando no congressos e temos milhares de cidadãos dispostos a não ceder. 

Somos estudantes, advogados, jornalistas, enfermeiros e médicos. Estamos em todos os lugares e o ódio não irá nos varrer para longe fora da história. Não sem uma boa luta.

Eu sei que é ainda mais aterrorizante perceber que, em vários lugares do país, houve fogos de artificio e buzinaços em comemoração a eleição dele. Eu entendo que tudo isso faz com que a gente se sinta ainda mais só, mas precisamos acreditar que temos uns aos outros e isso vai ter que bastar.

Essas são as mensagens mais forte que todo o processo eleitoral e a eleição do primeiro presidente claramente homofóbico pode nos deixar: Resistir é a única opção que nos restou, cuidem uns dos outros e mantenham-se unidos até o fim.

 

 

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
COMPARTILHAR