Conheça as propostas dos presidenciáveis para LGBTI+

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Haddad, Ciro e Marina Silva tem propostas para LGBTI+ nas eleições 2018

Você provavelmente está ciente de que as eleições que escolherão o próximo presidente do Brasil vai acontecer no dia de 7 de Outubro. Paradas LGBTI de todo país usaram eleições como tema para informar e mobilizar a comunidade para escolher bons representantes.

Muito tem se debatido nas redes sociais sobre discursos extremistas, esquerda, direita e #EleNão. Existe até uma rasa, porém importante, discussão sobre a economia do país, mas você sabe o que diz o plano de governo dos candidatos  à presidência sobre a população LGBTI?

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Vamos mostrar o que escreveram os principais candidatos sobre o que planejam fazer para tornar o país um lugar mais amigável para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e todas as outras letras da nossa comunidade.


Nota: O Dentro do Meio vem ignorando e se recusando a falar o nome do candidato do PSL por acreditar que toda a exposição ao nome dele, seja noticiando as atrocidades que ele diz ou a tentativa de assassinato que ele sofreu, pode ser benéfica para campanha dele. 

Ainda que usar o nome dele signifique perder alcance em pesquisas no Google e nas redes sociais, por hora, nos recusamos a ajudar a alavancar e ranquear o nome do candidato em questão.  No entanto, achamos importante que saibam o que ele diz, indiretamente, sobre nossa comunidade no plano de governo. Usaremos “coiso” e “candidato homofóbico” para nos referirmos a ele.


Líderes nas pesquisas

Coiso (PSL)

O plano de governo do Coiso assustar por fazer um aceno a  famílias “seja ela como for”, o que pode dar a ideia de um governo mais inclusivo.

“Os frutos de nossas escolhas afetivas têm nome: FAMÍLIA! Seja ela como for, é sagrada e o Estado não deve interferir em nossas vidas”

Embora não use LGBTI no programa ou fale de famílias homoafetivas e casais do mesmo sexo, o uso de “seja ela como for” parece uma trégua ao discurso intolerante do candidato homofóbico, certo? Errado!

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Mesmo com esse aceno, antes do atentado que sofreu, coiso rodava pelo país dizendo que “família é homem e mulher”, enfatizando sempre que a “família deve ser respeitada” e  “não vamos brincar com nossas crianças”. 

O plano de governo do presidenciável do PSL tem 81 páginas e será o único que não terá link nesta matéria pelos motivos apontados anteriormente na nota.

Haddad (PT)

Fernando Haddad, que ocupa o segundo lugar na corrida presidencial, apresenta no plano de governo propostas diretas para a população LGBTI+. 

Os três parágrafos destinados a comunidade promete a criminalização da LGBTfobia, ações na educação como combate ao bullying  para diminuir a saída de crianças LGBTI+ das escolas e a aplicação do programa Transcidadania em todo território nacional.

O programa também mostra preocupação com a empregabilidade de “travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade”.

O plano de governo de Fernando Haddad do PT tem 62 páginas e pode ser lido completo aqui.

Ciro (PDT)

As propostas para os cidadãos LGBTI+ fazem parte do bloco “Respeitar todos os brasileiros” do plano de governo do candidato Ciro Gomes e são apresentadas em 13 tópicos.

O plano não só fala sobre equipar a LGBTfobia a crimes de injúria racial e também ao feminicídio como também trata de inclusão e da “garantia da promoção da cidadania LGBTI, por um país para todas e todos”.

Os tópicos também tratam de combate ao bullying nas escolas e investimento nas universidades públicas para criar condições de ingresso e permanência da comunidade LGBT. Além disso, há uma proposta que fala sobre “aprovação do Estatuto das Famílias e do Estatuto da Diversidade” e outra que envolve saúde e “ampliação da oferta de tratamentos e serviços de saúde para que atendam às necessidades especiais da população LGBT no SUS”,

O suporte e pressão para que as leis que tratam de Casamento entre pessoas do mesmo sexo e a lei de identidade de gênero sejam aprovadas também são citadas no plano de governo, assim como o “Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBTI” e o Disk 100.

O plano de governo de Ciro Gomes do PDT tem 62 páginas e pode ser lido completo aqui.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Geraldo Alckmin, candidato pelo PSDB, traz  apenas a questão de enfrentamento da violência e garante “estabelecer um pacto nacional para a redução de violência contra idosos, mulheres e LGBTI”. É isso. Nem uma linha a mais.

O plano de governo de Geraldo Alckmim do PSDB é extremamente enxuto, tem apenas 15 páginas e pode ser lido completo aqui.

Marina Silva (REDE)

Ao contrário das últimas eleições, quando Marina Silva mudou o plano de governo depois de sofrer pressão do Pastor homofóbico Silas Malafaia, o compromisso com pessoas LGBTI+ não teve nenhuma alteração, muito embora isso não signifique muita clareza.

O plano de Marina fala, de maneira rasa, sobre criar “políticas de prevenção e combate a todas as formas de violência e discriminação”, mas também fala sobre “garantir o acesso ao mercado de trabalho e estimular o empreendedorismo”.

Além disso, defende que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deve ser protegido por lei e que em caso de adoção, estes casais devem ter o mesmo tratamento do que casais hétero.

Assim como o de Ciro e Haddad, o plano de governo de Marina da REDE tem 62 páginas e pode ser lido completo aqui

Mas e o PSOL?

Embora sejam responsáveis por bons embates e propostas extremamente interessantes para as minorias, o que inclui negros, indígenas e LGBTs, o PSOL não pontua bem nas pesquisas.

Guilherme Boulos (PSOL)

Um dos planos de governo mais robustos e talvez um dos únicos que, mesmo antes de chegar no bloco específico, fala de LGBTI+ como parte atuante da população. Boulos vê Lésbicas, Gays e pessoas Transexuais como aliados e costura as ideias nos levando em consideração.

Isso fica ainda mais claro quando lemos o compromisso de “materializar não apenas em programas e projetos específicos, mas também de forma transversal, como objetivo de todos os ministérios e de todas as políticas públicas”.

As propostas, no bloco específico, também falam de “cidadania LGBTI+”, “defesa do estado laico” e “veto de leis conservadoras que prejudiquem essa população”.

O extenso plano de governo de Guilherme Boulos do PSOL tem 228 páginas e pode ser lido completo aqui.

Em defesa das famílias, mas só as hétero

Cabo Daciolo (Patriota)

Cabo Daciolo ganhou a simpatia de alguns internautas, incluindo LGBTI+, depois do debate promovido pelo SBT na última quarta-feira (29). Ele demonstrou um pouquinho de bom senso ao falar de cotas e sobre o uso de armas, mas o candidato, que é religioso, deixa claro no seu plano de governo que não é uma boa opção.

Assim como o coiso, ele defende a família formada exclusivamente por homem e mulher, além de delirar dizendo que há um plano para destruí-la. “Não é possível conceber que a família em seus moldes naturais seja destruída, que a ideologia de gênero e a tese da legalização do aborto sejam disseminadas na nossa sociedade como algo normal”.

O plano diz que não quer dar voz ao preconceito, “mas oferecer à sociedade brasileira condições para que a família se mantenha nos padrões para os quais foi por Deus estabelecida’.

O plano de governo do Cabo Daciolo do Patriota tem 17 páginas e pode ser lido completo aqui.

Eymael (DC)

O democrata cristão volta a concorrer a presidência do Brasil e não inova muito nas propostas. Para quem o acompanha, não há novidades e mesmo quem nunca leu um plano de governo dele, já sabe que deve esperar por “valores da família” em algum momento.

“Resgate e a proteção dos valores éticos da Família e a satisfação plena de suas necessidades serão fundamento, a inspiração e o objetivo permanente da Democracia Cristã, no exercício da Presidência da República”

O plano de governo de ey-ey-Eymael, um democrata Cristão, tem 9 páginas e pode ser lido completo aqui.

Demais candidatos

João Amoedo (NOVO), Henrique Meirelles (MDB), Alvaro Dias (Podemos) e João Goulart Filho (PPL) não fazem menção a nossa comunidade LGBTI+ e também não usam “família” num contexto conservador e excludente.

As eleições acontecem dentro de 1 semana a contar da data de publicação desta matéria e esperamos que ela contribua na sua decisão. Desejamos um bom voto e boas eleições para nós, mas sem nunca esquecer #EleNão.

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
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