Vítima de Campo de Concentração na Chechênia fala com a imprensa

Maxim Lapunov é o primeiro gay a declarar publicamente que foi uma das vítimas do Campo de Concentração na Chechênia.

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Ele apresentou uma denúncia formal há três semanas no Comitê de Instrução, mas não obteve nenhuma resposta do governo russo.

“Até agora, o principal argumento das autoridades para se recusarem a investigar era a ausência de testemunhas. Agora eles já têm a primeira testemunha”, disse Igor Kochetkov, diretor da Rede LGBT da Rússia à Agência Efe.

Nenhum outro homossexual tinha denunciado publicamente as torturas e abusos por medo de represálias e por ameaças feitas pelas autoridades Chechênia.

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Lapunov contou que foi detido em março de 2017 sob a alegação de que teria tentado “seduzir as crianças chechenas”.

Ele foi torturado por quase duas semanas. Os torturadores queriam a identidade de outros gays que morasse no país.

Durante as agressões que aconteciam em porões cheios de sangue, ele ouvia coisas como “Não deveria haver gente como você no mundo” e “você sequer é um ser humano”.

Outros presos no campo de concentração

Lapunov ouviu agressões contra pessoas que ele mesmo teve que denunciar para continuar vivo. As torturas incluíam descargas elétricas.

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“Durante todo o tempo em que estive no porão, eles traziam novos detidos constantemente. Ouvi como eles eram agredidos. Pelas conversas, compreendi que todos eram suspeitos de serem homossexuais”, revelou.

Ameaças

Há uma razão para que outros, de acordo com Kochetkov, as autoridades ameaçam os familiares das vítimas.

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“A diferença é que ele não tem família na Chechênia. Os familiares dos gays chechenos são reféns das autoridades e, se há denúncia, sofrerão represálias”.

Sobre o Autor

Renan Oliveira
Renan Oliveira
Renan um é jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.

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