Júri popular concede liberdade assassino de travesti

O primeiro caso de transfobia julgado por um júri popular no Piauí mostrou que a justiça não funciona como deveria em crimes de ódio.

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Apesar de reconhecer que o professor Luís Augusto Nunes assassinou a travesti Makelly Castro em julho de 2014, os jurados optaram por conceder a liberdade a ele.

Makelly foi encontrada morta na zona sul de Teresina. Ela vestia apenas roupas intímas e tinha muitos hematomas espalhados pelo corpo.

Crime de ódio

Uma das testemunhas, também uma travesti, alega ter sido agredida por alguém com as mesmas caracteristicas e o mesmo veículo do acusado.

Ele teria se irritado ao não conseguir ter uma ereção e batido na testemunha. A promotoria não dúvida que ele tenha tido outro ataque de fúria com Makelly

Promotoria vai recorrer decisão do júri popular

“O MP recorreu por decisão contrária à prova dos autos e incompatibilidade na resposta aos quesitos, por reconhecer a autoria e absolver da prática do crime”, disse Ubiraci Rocha ao G1.

Ele também demonstrou estar decepcionado com a decisão e apontou LGBTfobia como principal razão para absolvição.

“Isso demonstra infelizmente o preconceito à condição da vítima por ser travesti”, concluiu.

Defesa aponta racismo

“Meu cliente é negro. Se há um crime em determinado local onde tem brancos, se tiver um negro, ele vai ‘pagar o pato’. Ele está pagando por ser negro”, argumentou Gilberto Alves, advogado de defesa.

Ele nega o envolvimento do acusado com a vítima e defende que ele estava em casa na hora do crime.

Sobre o Autor

Renan Oliveira
Renan Oliveira
Renan um é jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.

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