Crítica: Intenso, denso e arrasador, Bug Chaser humaniza caçador de vírus HIV

18
views
Foto: Alice Jardim

Um dos primeiros impulsos ao saber de alguém que busca conscientemente contrair o vírus HIV é colocar um rótulo de louco na pessoa em questão. No entanto, o espetáculo Bug Chaser pode te fazer controlar esse impulso ao te apresentar a história de Mark. 

+ Teste rápido de HIV será vendido em farmácias

Dirigida por Davi Reis, a peça, que estreou na Oficina Cultural Oswald de Andrade na última sexta-feira (7), acompanha a quarentena de um advogado criminalista que dedica parte da sua vida numa jornada para contrair o vírus HIV.

Mas o texto do dramaturgo Ricardo Corrêa, que em cena dá vida a Mark, extrapola as linhas da vida de alguém que tem fetiche pelo vírus e flerta com outras questões, que também são muito profundas, como o fato de, ainda nos dias de atuais, homossexuais serem tratados como grupo de risco.

Durante os mais de 60 minutos que dividimos o quarto de quarentena com Mark, que conta fragmentos da própria história antes de ser colocado em isolamento, Ricardo nos desafia a condenar, amar e questionar se de fato há algo tão errado no desejo de Mark, ainda que você definitivamente não queira uma vida com HIV.

Ainda que denso e de forma bem intensa, o tema é tratado com muito respeito e força, buscando quebrar o estigma de pessoas que fazem sexo sem proteção. Homofobia e aceitação também são tópicos dão mais peso no espetáculo. A interpretação de Ricardo é arrasadora e digna de destaque.

Bug Chaser ousa humanizar alguém que, para grande maioria da sociedade, é tido como alguém apenas e unicamente condenável. 

Serviço:
Oficina Cultural Oswald de Andrade: Rua Três Rios, 363-Bom Retiro.
Temporada de 06 de julho a 05 de agosto – quintas e sextas às 20h.
Sábados às 18h.
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 16 anos.
Capacidade: 40 pessoas.
Grátis.

Foto: Alice Jardim
Foto: Alice Jardim

 

 

Comentários

Renan Oliveira
Renan é um jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.
COMPARTILHAR