Especial dia dos namorados – Amor livre: conheça a histórias de relacionamentos abertos

Você possivelmente já deve ter presenciado ou participado de alguma discussão acalorada sobre relacionamentos abertos. Um dos gatilhos recorrentes dessas discussões é uma matéria antiga, postada pela primeira vez em 2012, na qual a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins afirma que “ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa”.

Longe de querer rotular o relacionamento aberto como certo ou errado, conversei com um casal bissexual e um trisal gay que comprovou o que a maioria de nós já sabe: não existe fórmulas exatas e todos os relacionamentos, abertos ou não, tem suas próprias regras, conflitos, inseguranças e concessões para que possam funcionar. Confira:

Rin e Zambs

Renata Barbosa (26) e Paulo de Araujo (25), a Rin e o Zambs, se conheceram numa festa de um podcast em março de 2015 e desde então estão juntos. Bissexuais, os dois contam que não houve um pedido oficial de namoro, as coisas só foram se encaixando naturalmente. Nenhum deles lembra exatamente o dia em que oficializaram a relação e por isso comemoram aniversário de namoro no dia em que se conheceram na festa.

Rin tinha acabado de sair de um relacionamento monogâmico de 5 anos e Zambs tinha voltado há pouco tempo de um intercâmbio quando eles começaram a se conhecer. Eles contam que essa situação ajudou a na decisão de deixar o relacionamento aberto. Ambos apontam diálogo como a principal aliado para que o namoro dure de forma saudável.

+ Especial dia das mães: “Não sei falar como mãe de gay porque sou mãe de viado”

“No início eu estava mais receosa e insegura, mas conforme nós fomos ficando isso foi sendo deixado de lado. Existe muito respeito e muito diálogo sobre tudo. A maior diferença entre meu relacionamento atual e o monogâmico que eu tive anteriormente, é que hoje eu me sinto mais livre”, comenta Rin.

Eles vivem um relacionamento aberto, mas que não é poliamoroso, isto é, segundo Paulo, embora exista a possibilidade de ficar outras pessoas, não há espaço para que outra pessoa namore os dois ou apenas um deles.

“Já aconteceu de ficar mais de uma vez com uma pessoa, mas a minha namorada é sempre a minha prioridade. Sempre que ela precisar de algo, eu estarei com ela. Isso é a principal diferença entre estar com outras pessoas e estar com ela”, argumenta Zambs.

Paulo e Renata/Arquivo pessoal

Sobre a bissexualidade, que também é tratada como um tabu por boa parte da população, o casal diz que nunca sofreu nenhuma especie de preconceito por conta da sexualidade. “O maior problema desse estigma é assumir que não tem como mudar isso. É tão registro quanto seu RG”, diz Zambs.

Questionados sobre o que é traição num relacionamento amoroso, Renata diz que só não tolera mentiras. “Se ele começasse me enganar e mentir, seria uma traição muito grande. Ficar com outras pessoas não é o problema, problema seria quebrar o respeito que temos um pelo outro”.

+ Exclusivo: Um mês depois, casal agredido continua sem conseguir entrar em vila homofóbica no Rio de Janeiro

E ainda falando sobre respeito, Renata argumenta que relações abertas não são pautadas em putaria como muitos acreditam. Ela pontua cumplicidade e mais uma vez destaca a liberdade com um dos pilares do namoro com Paulo.

“Um relacionamento aberto é só um outro tipo de relacionamento, ele tem tantos problemas quanto um relacionamento monogâmico. Eu não vejo um relacionamento aberto  como algo maior ou menor do que qualquer outro tipo de relacionamento”, finaliza Zambs.

Darty, Edu e Wes

Wesley, Eduardo e Dartagnan/Arquivo pessoal

O relacionamento entre Dartagnan Quadros (38) e Eduardo Vieira (33),  Darty e Edu, já começou aberto. Eles se conheceram através de um grupo de jogos no Facebook e começaram a namorar. Depois de um ano e meio de relacionamento eles conheceram e começaram a namorar o Wesley Oliveira (23) e hoje os 3 vivem juntos.

“O Du deixou claro desde o começo que se fosse pra ter um relacionamento teria que ser aberto e eu aceitei porque gostava muito dele, mas no começo foi bem difícil para mim. Eu sou menos ciumento do que eu era, mas ainda sou bastante ciumento”, diz Darty.

+ Quase 6 a cada 10 gays brasileiros já sofreram discriminação em aplicativos de encontro

Eduardo explica que fez a proposta para Dartagnan  por perceber que não conseguiria ter relacionamentos fechados, embora o primeiro relacionamento aberto dele não tenha funcionado por imaturidade dos dois. “Eu não acho que a não monogamia é melhor ou mais certa do que qualquer tipo de relacionamento, mas eu vi que pra mim essa coisa mais tradicional não servia”.

Foi Dartagnan quem teve o primeiro contato com Wesley. Ele lembra que estava no Tinder buscando por amigos coloridos para o casal quando aconteceu um match com Wes. “Quando o Darty trouxe o Wesley eu perguntei ‘podemos ficar com ele'”, brinca Eduardo.

Eduardo, Dartagnan e Wesley/Arquivo pessoal

A afinidade de Eduardo e Wesley foi tamanha que, a principio, chegou a fazer com que Dartagnan ficasse enciumado. “Agora nem tanto, mas antes eles vivam muito grudados. Parecia que o relacionamento era deles e eu estava apenas fazendo uma participação, mas fui me expressando e explicando o que tava me incomodando. Com conversas a gente pode resolver qualquer problema”, argumenta.

Ele ainda explica que Edu e Wes conseguiram lidar com o ciúme dele por entender que não se tratava de insegurança, mas sim sobre o tempo que precisava ser melhor administrado. “Eu não sou inseguro de mim, o meu ciúme tem a ver com outras pessoas terem prioridade de tempo. Por exemplo, se eles deixarem de passar o pouco tempo que temos juntos para ficar com outras pessoas, eu fico com ciúmes”.

+ Exclusivo: Andy Star comenta carreira internacional, revela atores com quem quer gravar e porque parou de fazer programas

Wesley teve um relacionamento monogâmico conturbado antes de conhecer Darty e Edu, mas sempre cogitou a possibilidade de ter um relacionamento aberto. “Eu acredito que o amor não deve ser um monopólio. O amor não é uma coisa limitada que você divide. O tempo pode até ser, mas amor não”, argumenta.

Os três vivem um “relacionamento poliamoroso sexualmente aberto”, ou seja, eles podem se relacionar sexualmente com qualquer pessoa, porém, a afetivamente, por enquanto, só podem se relacionar entre eles. “A gente não descarta a possibilidade de conhecer outra pessoa, mas tem que haver envolvimento emocional com os três”, diz Darty. “É um casamento, né? A gente divide contas e tudo mais”, completa Eduardo. “A gente paga boleto e decide o que vai comer tudo junto, então tem muita responsabilidade envolvida”, finaliza Wes.

 

 

Sobre o Autor

Renan Oliveira
Renan Oliveira
Renan um é jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.

Comentários