Exclusivo: Andy Star comenta carreira internacional, revela atores com quem quer gravar e porque parou de fazer programas

Um curto vídeo foi responsável por revelar uma das maiores estrelas do pornô nacional da atualidade, Andy Star. O momento íntimo viralizou e, devido ao sucesso, rendeu o primeiro vídeo profissional do ator.

Andy, que atualmente está trabalhando exterior com produtoras internacionais e nomes como Tim Kruger e Paddy O’Brain, separou um tempo na agenda para conversar com o Dentro do Meio.

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Na entrevista exclusiva que você confere a seguir, ele prova​ que além de bem-humorado e premiado pelas atuações, está antenado na situação política do Brasil, além de falar sobre os atores com quem​ deseja gravar e a homofobia no meio gay. Confira:

Dentro do Meio: Há fóruns na internet que dizem que você premeditou o vazamento, já na intenção de virar ator. O que acha disso?
Andy Star: (Aos risos) Ah, eu adoro esse enigma sobre meu começo! Não vou desmentir e nem confirmar que é verdade porque​ eu quero deixar essa dúvida!

Foto: Mano Martínez

DdM: Você trabalho como acompanhante e permitia que os clientes fizessem vídeos com você. Ainda faz esse serviço?
AS: Atualmente estou sem fazer programa. Eu invisto muito tempo na carreira de ator e a correria de escort boy (acompanhante) não iria deixar eu conciliar as duas coisas. Mas assim que eu voltar a fazer programa​, vou sim oferecer esse extra que é a filmagem. A verdade é que eu gosto de filmar e muita gente gosta também, aliás, os vídeos caseiros que chegam até mim são a prova disso!

DdM: Você está gravando com produtoras internacionais. Qual é a maior diferença entre elas e as produtoras brasileiras?
AS: Investimento! Não só investimento das empresas de pornô do Brasil, mas também o investimento dos expectadores de pagar para assistir aos filmes originais ao invés de verem apenas os piratas. Falta investimento também de festas, marcas de cueca, sungas​ e todo um mercado que poderia ser parceiro do pornô nos negócios. Mas eu garanto que o pornô do Brasil faz sempre o melhor que pode, principalmente a hotboys e a meninos online, que são duas empresas para quem eu trabalhei. Elas respeitam os atores e os clientes fazendo ótimas produções!

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DdM: Das produtoras internacionais que trabalhou até agora​, qual foi a melhor experiência?
AS: É difícil falar porque na Lucas Entertainment, por exemplo, eu fiz cena com Sean Xavier. Na Tim Tales com o Tim Kruger. Na Kristen, eu gravei com o Lucas Fox, que é um brasileiro que construiu a carreira dele no exterior. Na men.com filmei com o Paddy O’Brian, na Fucker Mate encontrei os brasileiros Mário Galeno e Carlos Leão. Então fica difícil dizer porque como em cada empresa eu dei muita sorte de trabalhar com grandes atores, não tem como escolher só uma como sendo a melhor. Além disso, eu sou um libriano muito indeciso! (Risos)

Foto: Mano Martínez

DdM: Além dos nomes que citou, você também gravou com atores nacionais como Marcelo Mastro e Daniel Carioca. Com quem mais você gostaria de gravar?
AS: Por cima eu lembro do Rocco Steele, Antônio Biaggi e dos brasileiros Picasso, Caio Veyron, Jonathan Miranda, Wagner Vittoria e Diego Lauzen, além de atores que queria fazer cena, mas não rola porque eles trabalham como passivos também, o Ken Summers, por exemplo… queria ter feito com o Lukas Katter também, que, aliás, está concorrendo pela hotboys na categoria ator revelação. Votem nele que ele é ótimo!!!

DdM: Harry Louis disse que, quando atuava, recebeu um conselho de um diretor para que não gravasse tantos filmes para não desgastar a imagem. Você pensa em um número de filmes que deseja gravar ou em se aposentar em breve?
AS: Esse conselho é muito subjetivo. Eu acredito que deva haver um número de filmes, mas no meu caso não tenho como aplicar por questões legais e porque​ para mim fazer pornô é como para subir no palco para cantar para Anitta, ou como Giovanna Antonelli atuar, ou como Paulo Gustavo fazer humor. Essa é minha arte e meu trabalho, se eu ficar fora de cena vou ficar muito triste.

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DdM: Atualmente você está no exterior e tem trabalhado bastante. Tem planos de voltar para o Brasil?
AS: Mas é claro que vou voltar! Inclusive, eu tenho acompanhado as notícias e tenho certeza que vou voltar para um Brasil melhor. Não tenho data para voltar, mas sou apaixonado pelo Rio de Janeiro e jamais conseguiria dizer adeus para essa cidade.

DdM: Você já foi vítima homofobia?
AS: Sim. Eu nasci nos anos 80, cresci nos anos 90 e vivi nos 2000. A nova geração de gays está enfrentando menos problemas e acredito que vai continuar a reduzir. E nós somos mais fortes do que qualquer ofensa que possam usar para tentar nos diminuir. Nossa maior preocupação deve ser com países que condenam os que não são heterossexuais e quanto a religião, não tem muito o que fazer porque os dogmas cristãos não vão mudar. O melhor a fazer ao ouvir esses absurdos que dizem é pensar “pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”.

DdM: Fizemos uma pesquisa que mostrou que quase 6 em cada 10 gays brasileiros já sofreu discriminação em app de encontro. Você acha a comunidade gay preconceituosa?
AS: Somos sim! Já li comentários em alguns filmes meus dizendo que sou branco demais para gravar com negros ou que sou latino demais para gravar com norte-americanos. Acredito que exista em nós um mecanismo de autodefesa por conta da rejeição que sempre sofremos e acabamos pegando esse costume feio de rejeitar como defesa. Mas com jeitinho nós venceremos esses preconceitos.

Foto: Mano Martínez

DdM: Você já disse em entrevistas que costuma pesquisar seu nome na internet para ter um feedback do público como lida como críticas ao seu corpo ou o fato de já ter gravado sem camisinha?
AS: As críticas ao meu corpo são de boa e as críticas ao sexo bareback, são um prazer pra mim, servir de “boi de piranha” e ser condenando e apontado por algo que muita gente faz. Mas pelo amor de Deus, além de criticar meu trabalho com bareback para poder ser politicamente correto, não deixem​ de usar camisinha senão fica feio. Se você faz sexo bareback, não esqueça de manter seus checkups de DST em dia, afinal a grande parte da população não tem condições financeiras de cuidar da saúde como os atores pornôs barebackers fazem constantemente!

DdM: Ano passado, depois de gravar com um ator que teve uma perna amputada, você disse que gostaria de gravar mais filmes com a temática inclusiva. Chegou até a mencionar filme como uma trans ou uma mulher cis ativa. Ainda sente desejo de gravar filmes mais inclusivos?
AS: Eu considero a cena com o Paulão a mais importante da minha carreira, porque foi aberta uma discussão muito importante depois daquela cena. E sim, eu estou de olho num outro perfil de pessoas que não tiveram ainda muito destaque no pornô, mas que na vida real tem vida sexual e querem ser vistas​ e representadas na sua sexualidade. Não vou entregar qual é o perfil que estou de olho, mas estou correndo atrás pra conseguir fazer uma cena pra eles!

DdM: Com a experiência crescendo cada vez mais, quais são os próximos passos de Andy Star? Pensa em virar diretor?
AS: Sou péssimo em responder esse tipo de pergunta porque gosto de viver um dia de cada vez. Do dia para noite minha vida passou por grandes mudanças e elas acontecem tanto para o bem quanto para o mal. Planos podem ser cancelados, as vezes até por vontade própria. Mas não sigam meu exemplo planejem o futuro e sejam pessoas do amanhã. Os haters podem até usar essa resposta contra mim. (Risos)

DdM: Algum recado aos leitores?
AS: Muito obrigado por serem inteligentes e tão mente aberta em relação ao pornô. Se você leu a até aqui você é o futuro. Um futuro sem discriminação ou bullying aos atores de filme pornô!

Você pode acompanhar Andy Star no Twitter, no Instagram e no Tumblr.

Sobre o Autor

Renan Oliveira
Renan Oliveira
Renan um é jornalista de humor ácido (é bem ruim pela manhã) que acredita que informação é uma das armas mais poderosas contra a LGBTfobia.

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